Ilha do Sal, Cabo Verde: três dias de morabeza
A Ilha do Sal foi uma agradável surpresa: uma ilha sem stress, com locais fantásticos, boa comida, praias lindíssimas e pessoas sorridentes e acolhedoras. Em Cabo Verde chama-se a isso morabeza — a qualidade de quem é amável, atencioso e gentil.
Três dias na ilha
Tive a oportunidade de ficar três dias na ilha e deu para conhecer o essencial com calma. O primeiro dia foi de praia e passeio por Santa Maria; à noite fui ver uma tartaruga a desovar, tapar os ovos e voltar ao mar — foi como assistir a um documentário ao vivo. A desova das tartarugas ocorre entre junho e outubro e os tours locais costumam cobrar apenas se houver avistamento.
O segundo dia foi de exploração: aluguei uma scooter em Santa Maria para ter o meu próprio ritmo e percorri a ilha — Espargos, Palmeira, Terra Boa, Buracona, Salinas de Pedra Lume e a Baía da Parda. O terceiro dia reservei para uma caminhada de ida e volta de Santa Maria até à Praia da Ponta Preta.
Santa Maria e o pontão
Santa Maria é a zona mais turística da ilha: aqui estão as melhores praias, grande variedade de alojamento — de hostels a resorts —, restaurantes e lojas de souvenirs.
O local mais famoso é o pontão de Santa Maria, onde se vê o peixe a chegar e as mulheres a arranjá-lo, jovens a saltar para um mar de cor incrível, músicos e artistas de rua. É o coração da vila, ao fim da tarde.
O norte da ilha: Palmeira, Buracona e o Olho Azul
O caminho entre Espargos e Palmeira tem algumas das paisagens mais espetaculares do Sal. Palmeira é uma pequena vila piscatória onde fica o principal porto da ilha — acolhedora, colorida e com preços mais em conta do que em Santa Maria.
A Buracona, a uns 6 km de Palmeira por estrada de terra batida, é uma zona de paisagem protegida com piscinas naturais formadas na rocha vulcânica pela força do mar. A água tem uma cor lindíssima, mas é preciso respeitar o estado do mar: nem sempre é aconselhável mergulhar aqui.
Dentro da Buracona fica o famoso Olho Azul, uma gruta onde os raios de sol incidem sobre a água formando um olho azul perfeito — a melhor hora para o ver é por volta das 11h.
Terra Boa, as salinas e a baía dos tubarões
A Terra Boa é famosa pelas miragens causadas pelo calor e pelo clima árido. É também aqui que fica o bairro mais pobre da ilha; quem quiser levar roupa ou bens para doar encontra aqui associações locais que os distribuem.
As Salinas de Pedra Lume foram outrora o motor económico da ilha — o próprio nome do Sal vem da extração de sal. Ficam no interior da cratera de um antigo vulcão e, pela elevada concentração de sal na água, podemos flutuar sem esforço, como no Mar Morto. Há entrada paga e horário de visita.
Na Baía da Parda, também chamada baía dos tubarões, é possível ver tubarões-limão bem de perto, com a água pelos joelhos — estejam descansados, são inofensivos. Levem calçado adequado para o chão rochoso; se se esquecerem, aluga-se no local.
Locais imperdíveis numa visita ao Sal
- O pontão de Santa Maria ao fim da tarde, com a chegada do pescado;
- O Olho Azul da Buracona, por volta das 11h;
- A flutuação nas Salinas de Pedra Lume;
- Os tubarões-limão da Baía da Parda;
- A caminhada de Santa Maria à Praia da Ponta Preta;
- A desova das tartarugas, entre junho e outubro.
Praia da Ponta Preta, onde ficar e onde comer
A Praia da Ponta Preta é perfeita para caminhadas pelo extenso areal e é muito mais calma do que a de Santa Maria, embora um pouco mais ventosa.
| Local | O que é | Dica |
|---|---|---|
| Santa Maria | Vila turística e praias | Base ideal para dormir |
| Palmeira | Vila piscatória | Refeições mais baratas |
| Buracona / Olho Azul | Piscinas naturais e gruta | Ir por volta das 11h |
| Salinas de Pedra Lume | Cratera com salinas | Flutuar na água salgada |
| Baía da Parda | Tubarões-limão | Levar calçado de água |
| Ponta Preta | Praia selvagem | Caminhada desde Santa Maria |
Fiquei alojada no centro de Santa Maria, num hotel cujos quartos homenageiam cantores cabo-verdianos — a minha suite era dedicada a Ildo Lobo. À noite experimentei vários restaurantes; os meus favoritos foram o Barracuda, o Sapo com Fome e o restaurante D'Angela.
O Sal é destino para desligar: três dias chegam para o essencial, uma semana para não querer vir embora.
