Quanto custa viajar no Sudeste Asiático em 2026: Vietname, Camboja e Tailândia
O Sudeste Asiático deixou de ser o paraíso dos mochileiros de meia coroa, mas continua a ser uma das regiões mais acessíveis do planeta para quem viaja com tempo e sem luxos desnecessários. Os preços subiram desde os tempos em que um dormitório na Tailândia custava três dólares e uma tigela de pho se comprava por trocos, mas a geometria do orçamento mantém-se favorável: um dia na estrada por estes lados continua a custar menos do que um almoço em Lisboa. A diferença, em 2026, é que a inflação global, a revalorização cambial e o fim de certos subsídios turísticos tornaram os três países menos homogéneos entre si. A Tailândia encareceu. O Vietname mantém-se como o melhor valor. O Camboja continua a ser o mais barato de todos — mas com contrapartidas que convém conhecer antes de fazer as contas.
O panorama orçamental de cada país
Antes de entrar no detalhe dia a dia, vale a pena entender como os três países se posicionam em termos de custo global. A Tailândia é o destino mais desenvolvido dos três, com uma infraestrutura turística madura, transporte de alta qualidade e uma oferta de alojamento que vai do hostel aos resorts de luxo. Essa maturidade tem um preço: o custo de vida subiu significativamente entre 2023 e 2026, especialmente em Bangkok, Phuket e nas ilhas do Golfo. O baht tailandês valorizou-se face ao euro, e muitos estabelecimentos que antes praticavam preços de rua agora atendem uma clientela de poder aquisitivo mais alto.
O Vietname é o ponto doce do roteiro. A moeda — o dong — desvalorizou-se ligeiramente face ao dólar, o que significa que o poder de compra do viajante estrangeiro aumentou. O país investiu pesadamente em infraestrutura rodoviária, com autoestradas novas a ligar Hanói a Hai Phong e Da Nang a Hue, o que reduziu os tempos de viagem de autocarro e baixou os preços dos transportes. O alojamento manteve-se barato, a comida de rua continua incomparável em relação preço-qualidade, e os vistos electrónicos tornaram a entrada mais simples.
O Camboja é o mais económico dos três, mas requer atenção. O riel cambodjano é estável face ao dólar, e o país dolarizou a sua economia a ponto de quase tudo ser cotado em dólares americanos. Isto elimina a confusão cambial mas significa que não há vantagem cambial para quem chega com euros. O custo de vida é baixíssimo fora de Siem Reap e Phnom Penh, mas a infraestrutura turística é mais limitada, os transportes são mais lentos e a qualidade do alojamento económico é inferior à do Vietname ou da Tailândia.
A visão geral abaixo mostra o custo médio diário de um viajante que dorme em hostels ou guesthouses económicas, come maioritariamente em locais de rua e restaurantes locais, usa transportes públicos e visita um sítio histórico ou natural pago por dia.
| País | Alojamento (por noite) | Comida (3 refeições) | Transporte local | Atividade/entrada | Custo diário total |
|---|---|---|---|---|---|
| Vietname | 5–10€ (hostel) ou 12–20€ (guesthouse) | 6–12€ | 1–4€ | 2–8€ | 14–34€ |
| Camboja | 4–8€ (hostel) ou 10–18€ (guesthouse) | 5–10€ | 2–5€ | 3–10€ | 14–33€ |
| Tailândia | 7–14€ (hostel) ou 15–30€ (guesthouse) | 8–18€ | 2–6€ | 3–12€ | 20–50€ |
A leitura destes números revela que o Camboja e o Vietname praticamente se equiparam no custo diário baixo, com o Vietname a levar vantagem na qualidade do alojamento pelo mesmo preço. A Tailândia destoa claramente: um dia em modo económico na Tailândia custa o dobro do que custaria no Vietname em modo médio. A diferença amortiza-se ao longo de semanas e é a principal razão pela qual muitos viajantes reordenam o seu roteiro para passar mais tempo no Vietname e menos na Tailândia quando o orçamento aperta.

Vietname: o dia a dia em detalhe
O Vietname é o país onde o dinheiro rende mais de forma consistente. A rede de alojamento económico é vasta e de boa qualidade — os hostels vietnamitas estão frequentemente entre os melhores do Sudeste Asiático em termos de limpeza, camas e instalações. A comida é barata em qualquer nível: uma tigela de pho ou bun cha num estabelecimento de rua custa entre 1€ e 2€, e mesmo uma refeição completa num restaurante local com cerveja dificilmente passa dos 5€.
O transporte de longa distância é onde o Vietname brilha. Os sleeper buses — autocarros com camas em vez de assentos — ligam Hanói a Da Nang, Da Nang a Nha Trang, Nha Trang a Saigão por entre 10€ e 18€ por trajeto, e poupan uma noite de alojamento. Os comboios são mais caros mas mais confortáveis: o trecho Hanói–Hue em classe dura custa cerca de 35€ e a vista da costa ao nascer do sol vale cada dong. Para distâncias curtas, o Grab (o equivalente local do Uber) funciona em todas as cidades grandes e custa entre 1€ e 3€ por trajeto urbano.
Os custos concretos que um viajante encontra no Vietname em 2026 incluem:
- Visto electrónico — 25€ para 90 dias de entrada única, 50€ para múltiplas entradas. O e-visa substituiu o antigo sistema de carta de aprovação e é processado em 3 a 5 dias úteis no site oficial do governo.
- SIM card com dados — 5€ por 30 dias com 5 GB de dados diários. Os cartões Viettel e Vinaphone compram-se no aeroporto ou em qualquer loja de bairro.
- Alojamento em Hanói e Saigão — dormitório em hostel de qualidade: 6–9€. Quarto duplo em guesthouse com ar condicionado e pequeno-almoço: 12–18€. No interior (Sapa, Phong Nha, Hoi An), os preços baixam 20–30%.
- Comida de rua — tigela de pho: 1–1,50€. Bun cha com nem: 2–3€. Banh mi: 0,80–1,20€. Cerveja bia hoi (cerveja fresca local): 0,30–0,50€ o copo. Água 1,5L: 0,40€.
- Restaurante local — refeição completa com prato principal, arroz e bebida: 4–8€. Cerveja Saigão ou Hanói: 1–1,50€.
- Transporte entre cidades — sleeper bus Hanói–Da Nang (12h): 12–16€. Comboio Hanói–Hue (14h, classe dura): 30–38€. Voo doméstico Hanói–Saigão: 40–70€ se reservado com antecedência.
- Entradas — Cidadela de Hanói: 2,50€. Templos da Cidade Imperial de Hue: 6,50€. Baia de Halong (excursão de um dia com almoço): 25–40€. Grutas de Phong Nha (entrada + barco): 12–18€.
- Lavandaria — 1€ por quilo, lavada e passada a ferro, entregue em 24h. Praticamente todos os hostels e guesthouses oferecem este serviço.
A soma destes itens dá um custo diário realista entre 18€ e 28€ para um viajante que dorme em hostels, come maioritariamente na rua, usa transportes públicos entre cidades e visita um sítio pago por dia. Quem prefira guesthouses privadas e restaurantes com ar condicionado pode contar 30€ a 45€ diários — ainda substancialmente menos do que qualquer destino europeu.
Camboja: barato, mas com nuances
O Camboja é frequentemente descrito como o país mais barato do Sudeste Asiático, e isso é verdade em termos de custo absoluto. Mas a experiência de viagem é diferente da do Vietname ou da Tailândia, e essa diferença afeta o orçamento de formas que os números puros não captam.
A dolarização da economia é o primeiro fator a compreender. O dólar americano é aceite em todo o lado e é a moeda de referência para alojamento, transporte e entradas. O riel cambodjano é usado para trocos pequenos e mercados locais. Para um viajante que chega com euros, isto significa uma dupla conversão que adiciona 2–3% ao custo de cada transação. Não é dramático, mas ao longo de semanas acumula.
Siem Reap — a cidade dos templos de Angkor — é o ponto onde o orçamento mais sofre. O pass de Angkor custa 37€ para um dia, 62€ para três dias e 72€ para sete dias. É a maior despesa individual de qualquer viagem ao Camboja, e não há forma de a evitar: os templos são a razão para ir. Fora de Angkor, os preços baixam drasticamente. Phnom Penh, Battambang, Kampot e as ilhas do sul oferecem custos de vida inferiores aos de qualquer cidade equivalente no Vietname.
Os itens que compõem o orçamento diário no Camboja são:
- Visto à chegada — 30€ (36 USD) para 30 dias, pagos em dinheiro na fronteira ou aeroporto. Existe também um e-visa por 36€ que evita filas.
- SIM card — 5€ por 30 dias com dados ilimitados. A rede Metfone tem a melhor cobertura fora das cidades.
- Alojamento em Siem Reap — dormitório: 4–7€. Quarto duplo com ar condicionado: 10–16€. Em Phnom Penh, os preços são 10–20% mais altos. Em Kampot e Battambang, 20% mais baixos.
- Comida — amok (caril de peixe coco): 2,50–4€. Lok lak (carne salteada): 3–5€. Kuy teav (sopa de noodles): 1–1,50€. Cerveja Angkor: 0,50–1€ em restaurantes locais. A comida de rua cambojana é mais barata que a tailandesa mas menos variada.
- Transporte — tuk-tuk urbano: 1–3€ por trajeto. Autocarro Phnom Penh–Siem Reap: 8–12€. Barco Battambang–Siem Reap: 18–22€ (uma das viagens mais bonitas do país). Voo doméstico Phnom Penh–Siem Reap: 50–70€.
- Entradas — Angkor Wat (1 dia): 37€. Palácio Real de Phnom Penh: 10€. Genocide Museum (Tuol Sleng): 2€. Killing Fields: 3€. Templo de Beng Mealea: 5€.
- Lavandaria — 1€ por quilo, comum em todos os alojamentos.
No total, um dia no Camboja custa entre 15€ e 25€ em modo económico, subindo para 25€ a 35€ nos dias em Siem Reap com o pass de Angkor incluído. A média realista de uma viagem de duas semanas que inclua Angkor, Phnom Penh e Kampot fica em torno de 22€ a 28€ por dia.

Tailândia: onde o preço subiu
A Tailândia é o país onde a subida de preços é mais visível. Bangkok tornou-se uma das cidades mais visitadas do mundo, e a oferta turística reajustou-se para uma clientela com maior poder de compra. Isto não significa que a Tailândia é cara — significa apenas que a diferença entre o modo económico e o modo médio estreitou-se, e que certas experiências que antes eram baratas agora custam o mesmo que na Europa.
O alojamento é o exemplo mais claro. Um hostel de qualidade em Bangkok custa 8–14€ por cama, contra os 5–9€ de Hanói. Uma guesthouse com quarto privado e ar condicionado custa 18–30€, contra os 12–20€ do Vietname. As diferenças são maiores em Phuket, Koh Samui e Koh Phi Phi, onde a procura turística empurrou os preços para níveis que pouco têm a ver com o custo de vida tailandês.
A comida continua a ser o ponto forte. A comida de rua tailandesa é uma das melhores do mundo e custa o mesmo que há cinco anos: um pad thai no mercado nocturno custa 1,50–2€, um khao soi em Chiang Mai custa 2–3€, e uma som tam (salada de papaia verde) custa 1–1,50€. O problema é que muitos viajantes, atraídos pela reputação gastronómica da Tailândia, acabam a comer em restaurantes turísticos onde os preços são 3 a 5 vezes mais altos sem correspondente salto de qualidade.
Os custos diários na Tailândia em 2026 incluem:
- Visto — isento de visto para 60 dias para cidadãos europeus (Portugal, Espanha, França, Alemanha e outros). Prorrogação por mais 30 dias: 19€ no gabinete de imigração em Bangkok ou Chiang Mai.
- SIM card — 8€ por 30 dias com 10 GB de dados. AIS e Dtac são as operadoras com melhor cobertura.
- Alojamento em Bangkok — dormitório em hostel: 8–14€. Quarto duplo em guesthouse: 18–30€. Em Chiang Mai, 20–30% mais barato. Em Phuket e Koh Samui, 30–50% mais caro.
- Comida — pad thai no mercado: 1,50–2€. Khao soi em Chiang Mai: 2–3€. Mango sticky rice: 1,50–2,50€. Tom yum goong: 2,50–4€. Cerveja Chang ou Singha: 1,50–2,50€ em restaurante local. Em food courts de shoppings, refeições completas por 3–5€.
- Transporte — BTS Skytrain em Bangkok: 0,40–1€ por trajeto. Autocarro: 0,30€. Grab urbano: 2–5€. Autocarro noturno Bangkok–Chiang Mai: 15–20€. Comboio: 20–35€. Voo doméstico Bangkok–Phuket: 30–60€.
- Entradas — Grand Palace Bangkok: 14€. Wat Pho: 6€. Wat Arun: 3€. Templos de Ayutthaya: 1–2€ cada. Parque Nacional Khao Sok: 5€. Parque Nacional Erawan: 5€.
- Ilhas — ferry Phuket–Koh Phi Phi: 15–20€. Ferry Surat Thani–Koh Samui: 8–12€. Long-tail boat privado: 15–30€ por hora.
Fatores que alteram o orçamento
Os valores diários apresentados assumem um perfil de viajante que dorme em alojamento partilhado, come localmente e usa transportes públicos. Vários fatores podem empurrar o orçamento para cima ou para baixo, e vale a pena considerá-los ao planear o roteiro.
A época do ano tem um impacto direto nos preços de alojamento. Na Tailândia, a alta temporada de dezembro a fevereiro eleva os preços das ilhas em 40–70%. No Vietname, o Ano Novo Lunar (Tet, que cai em finais de janeiro ou início de fevereiro) faz disparar os preços de transporte e alojamento, e muitos estabelecimentos fecham. No Camboja, o Khmer New Year em abril tem um efeito semelhante, embora menos pronunciado.
O ritmo de viagem é o segundo fator. Quanto mais cidades se visitam em menos tempo, mais se gasta em transporte de longa distância, que é a despesa mais variável do orçamento. Um viajante que fique uma semana em cada cidade gasta menos em transportes do que um que muda de cidade de dois em dois dias, mesmo que os trajetos individuais sejam baratos. A diferença pode chegar a 5–8€ por dia.
A escolha entre voo doméstico e transporte terrestre é a terceira variável. Um voo Hanói–Saigão custa 50€ e poupa 12 horas; um sleeper bus custa 15€ e poupa uma noite de alojamento. Para quem tem tempo, o transporte terrestre é quase sempre a opção mais económica e frequentemente a mais interessante — é nas estradas do Sudeste Asiático que se vê a vida real do país.
Por último, o consumo de álcool afecta o orçamento de forma desproporcionada. A cerveja é barata em todos os três países — 0,50€ a 2,50€ por unidade — mas quem bebe diariamente pode facilmente adicionar 5–10€ ao custo do dia. As bebidas em bares turísticos, especialmente na Tailândia, custam o dobro ou o triplo das cervejas locais e são a forma mais rápida de inflar um orçamento apertado.
Orçamento total realista para uma viagem de três semanas
Para um viajante que percorra os três países em três semanas — uma semana em cada — com um perfil económico a médio, o orçamento total realista em 2026 fica entre 550€ e 850€, excluindo o voo internacional de ida e volta desde Europa. A isto somam-se os voos internos entre países (Bangkok–Siem Reap ou Hanói–Bangkok), que custam entre 40€ e 80€ por trajeto se reservados com antecedência.
A distribuição por país seria aproximadamente: 150–200€ para uma semana no Vietname, 140–190€ para uma semana no Camboja (incluindo o pass de Angkor) e 180–280€ para uma semana na Tailândia. Estes valores pressupõem alojamento partilhado em alguns dias e privado noutros, alimentação maioritariamente local com algumas refeições em restaurantes de gama média, entradas nos sítios principais e transporte terrestre entre cidades.
Quem tenha um orçamento mais folgado e prefira quartos privados com pequeno-almoço incluído, restaurantes de gama média e algumas atividades pagas como mergulho ou tours privados, pode contar 40–60€ por dia, o que eleva o total de três semanas para 850–1.300€. Ainda assim, este valor representa menos de metade do que custaria uma viagem equivalente em Europa Ocidental com o mesmo padrão de conforto.
O Sudeste Asiático em 2026 não é o destino de mochila de vinte anos atrás, mas mantém uma vantagem que nenhum outro rincão do mundo consegue igualar: a combinação de diversidade cultural, qualidade gastronómica, paisagens extraordinárias e custo de vida baixo numa escala que permite viajar durante semanas sem sentir o peso do orçamento a cada refeição. A chave está em ajustar as expectativas ao país certo — mais dias no Vietname, menos na Tailândia, e o Camboja como espaço de transição onde o dinheiro rende e os templos de Angkor justificam cada dólar gasto.


